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A UE deve ser "firme mas inteligente" contra o "grande erro" de Trump em matéria de direitos aduaneiros, afirma António Costa

• Apr 2, 2025, 3:34 PM
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A União Europeia deve reagir de forma "firme, mas inteligente" às tarifas recíprocas que Donald Trump vai lançar, disse António Costa, esperando que o presidente norte-americano recue no seu plano antes que rebente uma guerra comercial devastadora.

"Este é verdadeiramente um grande erro económico para os Estados Unidos e também para a Europa e para o mundo inteiro", disse o presidente do Conselho Europeu em entrevista à Euronews.

Trump, cuja iniciativa sem precedentes antagonizou aliados de longa data, agitou os mercados bolsistas e levantou o espetro da recessão, vai anunciar as tarifas na quarta-feira, às 16:00 locais (22:00 CET), no que foi apelidado de "Dia da Libertação".

As taxas entrarão em vigor "imediatamente", segundo a Casa Branca.

Para o bloco, as tarifas recíprocas virão na sequência de direitos de 25% sobre as exportações de aço, alumínio e automóveis.

"Temos de responder de forma firme, mas também inteligente", afirmou Costa na entrevista.

"Isso significa que temos de chegar a uma solução negociada. Os direitos aduaneiros são impostos. Impostos que os consumidores americanos pagarão, que as empresas americanas pagarão. Não será bom para os americanos, mas também será mau para os europeus", acrescentou.

"Entrar numa guerra tarifária não é o melhor caminho, mas devemos, de facto, responder de forma a encontrar uma solução negociada no interesse comum e mútuo dos Estados Unidos e da Europa, da economia americana e da economia europeia".

Bruxelas prevê tarifas de dois dígitos, possivelmente até 25% sobre a maioria dos produtos, se não todos. Os analistas preveem que as medidas causariam estragos em ambos os lados do Atlântico e que, na prática, reestruturariam a ordem económica pós-Segunda Guerra Mundial.

A Comissão Europeia, que tem competência exclusiva para determinar a política comercial da UE, deverá apresentar medidas de retaliação entre quinta e sexta-feira. Na véspera do "Dia da Libertação", os responsáveis da UE afirmaram que a reação seria "bem calibrada" e isenta de quaisquer linhas vermelhas, com todas as cartas na mesa.

Uma das opções poderia consistir em visar serviços americanos valiosos, que até à data não foram afetados pela guerra. Em 2023, a UE registou um excedente de bens com os EUA no valor de 156,6 mil milhões de euros, mas um défice de serviços no valor de 108,6 mil milhões de euros.

Na entrevista, Costa expressou confiança na capacidade da Comissão de enfrentar a tempestade comercial e continuar as discussões com Washington até chegar a um compromisso, mesmo que as negociações tenham sido completamente infrutíferas até agora.

Costa descreveu repetidamente as tarifas recíprocas de Trump como um "erro" e avisou que os danos de um confronto entre a UE e os EUA se repercutiriam em todos os continentes.

"As nossas relações comerciais representam 30% do comércio mundial e 40% do PIB mundial, pelo que não afetará apenas a Europa e os Estados Unidos, afetará toda a gente, pelo que se trata de um grande erro", afirmou Costa.

"Mas espero que os Estados Unidos compreendam a dimensão deste erro e que possamos evitar uma guerra comercial. Numa altura em que toda a gente quer paz, não faz sentido criar uma guerra agora por causa do comércio", acrescentou, referindo-se aos esforços de Trump para chegar a um acordo de paz entre a Ucrânia e a Rússia.

À medida que as tensões transatlânticas aumentam, Bruxelas intensificou o seu compromisso com os líderes de todo o bloco para garantir uma frente política unificada perante a Casa Branca.

Embora os chefes de Estado e de Governo concordem que as tarifas de Trump não podem ficar sem resposta, discordam sobre os produtos que devem ser alvo de reação, temendo que as contramedidas possam atingir duramente indústrias-chave das suas economias nacionais.