União Europeia apela à Comissão para que reavalie os contratos públicos no contexto da guerra comercial

Uma federação sindical europeia que representa 7 milhões de trabalhadores dos serviços em todo o continente apelou às instituições europeias para que reavaliem os contratos públicos adjudicados a empresas norte-americanas, incluindo a Amazon Web Services (AWS), à luz da atual disputa comercial entre os dois lados do Atlântico.
A UNI Europa considera imperativo que a Europa tome medidas decisivas para salvaguardar a sua soberania económica, os seus valores democráticos e os direitos dos trabalhadores", de acordo com o comunicado publicado na quarta-feira.
No dia 1 de abril, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deu a entender um "forte plano de retaliação", que poderá visar o excedente dos EUA no sector dos serviços, através, entre outras medidas, da exclusão das empresas tecnológicas norte-americanas dos contratos públicos.
A AWS ganhou vários contratos públicos com vários departamentos da Comissão, mas é também um dos principais contratantes do governo dos EUA, incluindo agências de informação.
"Dada a dinâmica adversa emergente nas relações comerciais transatlânticas, permitir que a AWS aloje dados críticos europeus representa um risco inaceitável", afirma a UNI.
Nos últimos meses, têm-se estreitado os laços entre o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e a administração do presidente republicano Donald Trump. Bezos, que também é proprietário do jornal Washington Post, restringiu as opiniões no jornal, numa ação elogiada por Trump.
De acordo com a UNI, as instituições da UE devem "realizar uma revisão minuciosa dos contratos públicos existentes e planeados com a AWS" e "explorar a utilização das ferramentas regulamentares existentes para garantir que os fundos públicos não sejam concedidos a empresas que minam os valores fundamentais da UE".
A Amazon não comentou as alegações específicas, mas afirmou num blogue recente que contribui para a competitividade da Europa, "através de investimentos significativos e do compromisso inabalável de servir os nossos clientes europeus".
A Comissão Europeia não comentou.