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Cientistas afirmam que um simples método pode eliminar os microplásticos nocivos da água potável

• Apr 2, 2025, 4:38 PM
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Os microplásticos foram encontrados nas profundezas dos nossos órgãos e tecidos, entrando no corpo através dos alimentos e bebidas que consumimos e do ar que respiramos. No entanto, um método simples poderia ajudar a impedir que os seres humanos ingerissem as nanopartículas potencialmente nocivas.

Um novo estudo concluiu que ferver a água pode diminuir a concentração de microplásticos na água potável.

Investigadores da China testaram águas com diferentes durezas, às quais adicionaram nanoplásticos e microplásticos e depois ferveram-nas durante cinco minutos.

O processo conseguiu reduzir a concentração de nanoplásticos de 25% na água macia para 90% na água muito dura, que contém mais minerais, de acordo com os resultados publicados no ano passado na revista Environmental Science & Technology Letters.

"Esta estratégia simples de água a ferver pode 'descontaminar' os NMPs [nano e microplásticos] da água da torneira doméstica e tem o potencial de aliviar inofensivamente a ingestão humana de NMPs através do consumo de água", disse Zimin Yu, engenheiro biomédico da Universidade de Medicina de Guangzhou e um dos autores do estudo, num comunicado.

"Beber água fervida é aparentemente uma estratégia viável a longo prazo para reduzir a exposição global a NMPs", disseram os autores no seu artigo, alertando que a eficácia pode variar de região para região, dependendo da qualidade da água.

"Beber água fervida é uma tradição antiga em alguns países asiáticos, como a China, o Vietname e a Indonésia", acrescentou a equipa.

Como é que a fervura ajuda?

Pensa-se que o carbonato de cálcio, um dos minerais contidos em grandes quantidades na água dura, prende os pequenos plásticos numa crosta, formando calcário quando a temperatura sobe.

Os investigadores da Universidade de Medicina de Guangzhou e da Universidade de Jinan aconselharam a utilização de chaleiras que não sejam de plástico e de filtros de aço inoxidável para reter o calcário que contém os microplásticos.

Os microplásticos são cada vez mais reconhecidos como uma ameaça potencial para a saúde humana, com um número crescente de investigações que os associam a vários problemas de saúde possíveis.

No ano passado, um estudo associou a presença de microplásticos nas artérias a um maior risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.

Outro estudo mostrou que os indivíduos com demência apresentavam uma maior concentração de microplásticos no cérebro.

No entanto, estes estudos foram observacionais - comparando dados de um grupo para outro - e os investigadores não estabeleceram um efeito causal.

A equipa de investigação chinesa considera que são necessários mais estudos para determinar se a água a ferver pode manter outros materiais artificiais fora do nosso corpo.

"Os nossos resultados ratificaram uma estratégia altamente viável para reduzir a exposição humana ao NMP e estabeleceram as bases para novas investigações com um número muito maior de amostras", afirmaram os autores.