“Esta é a nossa declaração de independência económica": Trump anuncia tarifas de 20% para a UE

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma série de novas tarifas comerciais que visam aumentar a pressão sobre outros países.
Segundo Trump, as tarifas que os Estados Unidos irão cobrar serão metade das taxas que ele afirma que outros países aplicam aos EUA, alegando que, por "generosidade", os EUA estão a ser mais moderados em comparação com as práticas comerciais internacionais.
Trump usou um quadro ilustrativo para mostrar as tarifas que, na sua opinião, os países aplicam aos EUA. No caso da União Europeia, que segundo ele "parecem muito simpáticos, mas roubam-nos à descarada", afirmou que os europeus cobram tarifas de 39% aos produtos norte-americanos. Em resposta, anunciou uma tarifa de 20% sobre os produtos da UE.
"Estamos a ser muito generosos", declarou Trump, destacando que, por enquanto, as tarifas impostas pelos EUA não serão totalmente recíprocas. Explicou que a decisão de não adotar tarifas inteiramente equivalentes se deve ao facto de que, na sua leitura, outros países impõem taxas ainda maiores, além de existirem o que ele chamou de "barreiras não-tarifárias".
A novas medias também incluem uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis fabricados no estrangeiro, que entrará em vigor a partir das 00h00. Segundo Trump, essas novas tarifas são um passo fundamental para "finalmente tornar a América grande de novo".
Donald Trump, também declarou um imposto de base de 10% sobre as importações de todos os países.
Através do seu gráfico, Trump mostrou ainda que a China aplica aos Estados Unidos uma tarifa de 67%, pelo que lhes irão aplicar uma tarifa de 34%.
Ao Vietname serão aplicadadas tarifas de 46%, a Taiwan 32%, ao Japão 24%, à Índia 26%, à Coreia do Sul 25%, à Tailândia 36%, ao Reino Unido 10%, à Venezuela 15%, entre outros países.
Para Trump "o dia 2 de abril de 2025 será para sempre recordado como o dia em que a indústria americana renasceu".
Um dia antes, na terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, tinha antecipado que as novas tarifas entrariam em vigor imediatamente após o seu anúncio oficial.
"Europa está preparada para responder"
Líderes mundiais depressa reagiram ao anúncio de Donald Trump, alertando para as consequências nefastas das medidas para a economia mundial.
A presidente da Comissão Europeia diz que as tarifas universais anunciadas por Donald Trump representam "um grande golpe para empresas e consumidores em todo o mundo".
“As consequências serão terríveis para milhões de pessoas em todo o mundo”, afirmou von der Leyen. Os produtos alimentares, os transportes e os medicamentos serão mais caros, afirmou durante uma visita ao Uzbequistão, “e isto está a prejudicar, em particular, os cidadãos mais vulneráveis”.
Von der Leyen reconheceu que o sistema comercial mundial tem “graves deficiências” e afirmou que a UE está disposta a negociar com os EUA, mas também está preparada para responder com contramedidas.
O governo britânico afirmou que os Estados Unidos continuam a ser o “aliado mais próximo” do Reino Unido e o secretário de Estado dos Negócios, Jonathan Reynolds, disse que o Reino Unido espera chegar a um acordo comercial para “atenuar o impacto” das tarifas de 10% sobre os produtos britânicos.
“Ninguém quer uma guerra comercial e a nossa intenção continua a ser garantir um acordo”, afirmou Reynolds. “Mas nada está fora de questão e o governo fará tudo o que for necessário para defender os interesses nacionais do Reino Unido.”
O Japão, o aliado mais próximo dos Estados Unidos na Ásia, planeia analisar de perto as tarifas dos EUA e o seu impacto, disse o secretário-chefe do Gabinete Yoshimasa Hayashi, evitando falar de retaliação. Mas ele disse que as medidas teriam um grande impacto nas relações com os EUA.
A primeira-ministra conservadora da Itália, Giorgia Meloni, disse que as tarifas mais altas não beneficiariam nenhum dos lados.
O Brasil, atingido por um direito aduaneiro de 10%, afirmou estar a considerar a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio. O Congresso do país aprovou, por unanimidade, um projeto de lei que permite a retaliação de quaisquer direitos aduaneiros sobre os produtos brasileiros.
A China, que foi o país mais afetado pelas medidas anunciadas exigiu que os EUA revogassem as novas medidas, ameaçando com retaliação.
O Ministério do Comércio da China afirmou que Pequim iria “tomar resolutamente contra-medidas para salvaguardar os seus próprios direitos e interesses”, sem dizer exatamente o que poderia fazer.
Com as anteriores rondas de direitos aduaneiros, a China reagiu impondo direitos mais elevados sobre as exportações americanas de produtos agrícolas, limitando simultaneamente as exportações de minerais utilizados nas indústrias de alta tecnologia, como os veículos eléctricos.
“A China insta os Estados Unidos a cancelarem imediatamente as suas medidas aduaneiras unilaterais e a resolverem adequadamente as diferenças com os seus parceiros comerciais através de um diálogo equitativo”, afirmou.