Proibição do TikTok nos EUA está para breve: o que acontecerá a seguir e quem poderá comprar a aplicação?

O prazo para garantir o futuro do TikTok nos Estados Unidos está a acabar, uma vez que a data limite de sábado poderá levar à proibição da plataforma de partilha de vídeos no país.
Mas esse cenário parece improvável, uma vez que o presidente Donald Trump anunciou um acordo de "última hora" para salvar a rede social.
Algo que acontece depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter confirmado, a 17 de janeiro, uma decisão que apontava que o TikTok constituía um risco para a segurança nacional devido aos seus laços com a China e exigiu que a empresa-mãe do TikTok, a ByteDance, vendesse a plataforma a um proprietário norte-americano. Senão, a mesma enfrentaria uma proibição no país.
A 19 de janeiro, os utilizadores norte-americanos do TikTok ficaram "às escuras", quando a lei entrou em vigor, mas um dia depois, quando Trump tomou posse, assinou uma ordem executiva que adiou a venda - ou a consequente proibição da plataforma - por 75 dias.
O TikTok voltou a estar "online", dando à ByteDance mais tempo para encontrar um comprador não chinês. Mas, agora, faltam apenas poucos dias para o prazo de 5 de abril e ainda só existem especulações relativamente a possíveis compradores, mas nenhuma oferta confirmada.
Eis os cenários possíveis para o futuro do TikTok nos EUA e os potenciais compradores.
Cenário 1: a lei é suspensa (novamente)
Trump não pode revogar a lei, mas pode voltar a suspendê-la; afirmou que o prazo poderia ser alargado, se necessário.
A última vez que o fez foi através de uma ordem executiva, uma instrução oficial do presidente.
A decisão do Supremo Tribunal informava que a proibição foi “concebida para impedir que a China - um adversário estrangeiro designado - aproveitasse o seu controlo sobre a ByteDance para recolher os dados pessoais dos utilizadores norte-americanos do TikTok”.
Cenário 2: TikTok "fica às escuras"
O governo chinês poderia estar disposto a encerrar a operação da aplicação nos EUA em vez de concordar com um acordo. De um modo geral, considera-se que a ByteDance necessitaria da aprovação do governo chinês para efetuar a venda.
Tal significaria que a Apple e a Google deixariam de permitir que os utilizadores norte-americanos descarregassem a aplicação e que a plataforma seria desligada para os seus 170 milhões de utilizadores no país.
No final de março, Trump referiu que poderia conceder à China uma redução das tarifas aduaneiras se Pequim aceitasse um acordo relativamente ao TikTok.
“Talvez eu lhes dê uma pequena redução nas tarifas ou algo do género para que isso aconteça”, disse Trump aos jornalistas, em declarações na Sala Oval.
Cenário 3: é encontrado um comprador
O último cenário passa pela possibilidade de um comprador estar a trabalhar para chegar a um entendimento e de vermos um acordo fechado à última hora.
Estes poderiam ser os eventuais novos proprietários:
Amazon
A gigante do comércio eletrónico Amazon terá preparado uma oferta de última hora, segundo revelou ao New York Times um funcionário de Trump, na quarta-feira.
O funcionário, que falou em condições de anonimato, disse ao jornal que a Amazon tinha apresentado a proposta numa carta dirigida ao vice-presidente, JD Vance, e ao secretário do Comércio, Howard Lutnick.
Frank McCourt e Kevin O'Leary
Kevin O'Leary, apresentador do programa de investidores norte-americano “Shark Tank”, e o fundador do Project Liberty e magnata do imobiliário Frank McCourt apresentaram uma oferta formal de compra do TikTok em janeiro, juntamente com outros investidores.
O grupo autodenominou-se “People's Bid for TikTok” ("Proposta do Povo para o TikTok"), pois afirma que iria recolher menos dados dos utilizadores.
Os investidores do consórcio dizem ter oferecido à ByteDance 20 mil milhões de dólares (quase 19 mil milhões de euros) em dinheiro pela plataforma.
MrBeast e Jesse Tinsley
O YouTuber americano MrBeast, de nome próprio Jimmy Donaldson, juntou-se ao fundador da Employer.com, Jesse Tinsley, para avançar com uma proposta, segundo a CNN.
“A nossa oferta representa uma solução vantajosa para todos, que preserva esta plataforma vital e, ao mesmo tempo, responde a preocupações legítimas de segurança nacional”, afirmou Tinsley, em janeiro.
Referiu ainda que o grupo incluiria outros investidores.
“Estamos preparados para avançar rapidamente e reunimos uma equipa com profunda experiência em tecnologia, moderação de conteúdos e gestão de plataformas”, acrescentou.
Perplexity
A empresa de inteligência artificial (IA) Perplexity também fez uma oferta, em janeiro, para se fundir com o TikTok, assumindo uma participação de 50-50 com o governo dos EUA.
Em março, a empresa afirmou que o seu TikTok iria incluir um algoritmo mais transparente e beneficiar da infraestrutura de IA da Perplexity.
“Um TikTok reedificado e alimentado pela Perplexity criaria a maior plataforma do mundo para a criatividade e a descoberta de conhecimento”, afirmou a empresa.
Oracle
Vários meios de comunicação social sugeriram que a empresa de software Oracle também está a tentar comprar o TikTok.
Segundo o Financial Times, a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz também estaria interessada no negócio, afirmando que a Oracle é uma das precursoras.
Outros possíveis compradores
Trump disse, em janeiro, que a Microsoft estaria interessada em comprar a aplicação, mas nenhum comentário oficial da gigante tecnológica o confirmou.
Outras partes interessadas incluem o antigo secretário do Tesouro de Trump, Steve Mnuchin.
O site de vídeos Rumble, que é popular entre alguns conservadores e grupos de extrema-direita, também manifestou interesse em comprar o TikTok no ano passado.
O TikTok e a ByteDance não comentaram publicamente sobre um potencial comprador.