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Jatos supersónicos deverão voltar aos céus nos próximos anos: o que sabemos sobre os vários projetos em curso

• Apr 3, 2025, 6:41 PM
8 min de lecture
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A China entrou na corrida para inaugurar uma nova era dourada de viagens aéreas supersónicas com planos para construir um novo avião que poderá suplantar aquele que foi o mais famoso dos jatos supersónicos, o Concorde, retirado de circulação em 2003.

De acordo com o South China Morning Post (SCMP), a empresa chinesa Commercial Aircraft Corporation of China (COMAC) revelou os planos para o C949 - um jato capaz de atingir a velocidade de Mach 1,6 (sendo que Mach 1,0 representa a velocidade do som), logo voando mais longe e mais rapidamente do que o Concorde, citando um recente artigo académico.

De acordo com o documento, o projeto visa aumentar em 50% o alcance do Concorde e foi concebido para que o avião voe tão silenciosamente como o nível de ruído de um secador de cabelo.

Para o efeito, o corpo do avião será curvo, o que enfraquecerá as ondas de choque, retardando as violentas explosões que poderiam ser produzidas pelo avião, diz o artigo do SCMP.

Reduzir os níveis de ruído é uma forma de o avião tentar contornar as barreiras regulamentares que proíbem os voos supersónicos, continua o SCMP.

A Euronews Next está a tentar verificar estas afirmações de forma independente, contactando a revista académica que publicou as conclusões, bem como a COMAC, mas não recebeu qualquer resposta até ao momento da publicação.

A British Airways operou cerca de 50 mil voos do Concorde ao longo de 26 anos
A British Airways operou cerca de 50 mil voos do Concorde ao longo de 26 anos Dave Caulin/AP

Outros aviões supersónicos em projeto

O Concorde, um avião supersónico anglo-francês que voou pela primeira vez num voo de teste em 1969, efectuou cerca de 50.000 voos para a companhia British Airways durante os seus 26 anos de carreira.

A aeronave, com uma velocidade máxima de cruzeiro de Mach 2,04 (cerca de 2.180 km/h), tinha um tempo de voo de Londres a Nova Iorque de menos de 3,5 horas, em vez das 8 horas normais de um voo subsónico.

Não há nenhum avião supersónico não-militar em serviço desde a retirada do Concorde em 2003, mas há outros projectos supersónicos em curso, como o X-59, uma joint venture entre a NASA e o fabricante norte-americano Lockheed Martin.

Revelado no ano passado, o avião voa a 55.000 pés (mais de 16.700 m) e produz um som equivalente ao de uma porta de automóvel a fechar, segundo os projectistas do jato.

O X-59 foi concebido para viajar a velocidades de Mach 1,4 (cerca de 1.730 km/h), mais lento do que o Concorde e o proposto C949 chinês.

Em março, a NASA anunciou que o X-59 passou com êxito um teste de controlo da velocidade do motor, uma última etapa antes do primeiro voo que deverá ocorrer no final deste ano.

Imagem criada por computador que representa um jato supersónico Overture, da Boom, no aeroporto de Paris Charles de Gaulle
Imagem criada por computador que representa um jato supersónico Overture, da Boom, no aeroporto de Paris Charles de Gaulle Boom Supersonic

"Precisávamos de verificar se o controlo de velocidade funcionava não só no motor em si, mas como parte de todo o sistema da aeronave", diz Paul Dees, vice-líder de propulsão do X-59 no Centro de Investigação de Voo Armstrong da NASA, num comunicado.

"Este teste confirmou que todos os componentes - software, ligações mecânicas e leis de controlo - funcionam em conjunto como previsto".

A empresa privada Boom Supersonic quer lançar o seu jato supersónico, o Overture, antes do final da década.

No primeiro voo de teste do XB-1, em janeiro, a aeronave voou até 1.207 km/h a uma altitude superior a 35.000 pés (10.600 m) e conseguiu aterrar sem um estrondo sónico, segundo a empresa.

O Overture já suscitou interesse comercial, tendo a Boom assinado acordos com a United Airlines, a American Airlines e a Japan Airlines para a entrega do avião logo que este cumpra as normas de segurança exigidas.

A Comissão Europeia financiou vários projectos para estudar a redução do ruído e os impactos ambientais dos voos supersónicos, como o projeto RUMBLE 2022, o projeto SENECA 2020 e o projeto MORE AND LESS em curso.