Junta militar de Myanmar declara cessar-fogo temporário para ajudar vítimas do terramoto

A junta militar atualmente no poder em Myanmar declarou um cessar-fogo temporário até 22 de abril, de forma a facilitar os esforços de socorro às vítimas do terramoto, informou uma televisão local.
A declaração do alto comando militar seguem-se ao cessar-fogo temporário unilateral, anunciado por grupos de resistência armada, que se opõem ao regime militar.
Segundo o canal de televisão MRTV, os grupos armados étnicos e as milícias locais devem abster-se de atacar as forças de segurança do Estado e as bases militares, não devendo organizar-se, reunir forças ou expandir o território.
Se esses grupos não cumprirem essas condições, o exército tomará as medidas necessárias, segundo o comunicado.
Esforços de resgate continuam
Um homem de 26 anos foi retirado dos escombros em Naypyidaw, capital de Myanmar, cinco dias depois de o país ter sido atingido por um terramoto devastador de magnitude 7,7.
As equipas de salvamento locais e turcas localizaram o homem, Naing Lin Tun, e verificaram que ainda estava vivo utilizando uma câmara endoscópica.
Abriram então um buraco nos escombros do hotel onde trabalhava e trouxeram-no para um lugar seguro na manhã de quarta-feira, quase 108 horas depois de ter ficado soterrado.
A operação de salvamento demorou mais de nove horas, segundo a estação estatal MRTV.
Cinco dias após o terramoto mortal, as esperanças de encontrar outros sobreviventes estão a desaparecer, com as equipas de salvamento a serem prejudicadas pela guerra civil em curso no país, bem como pelos graves danos que o terramoto causou nas estradas e pontes.
A MRTV noticiou esta quarta-feira que o número de mortos em Myanmar subiu para 2886, com mais 4639 pessoas feridas.
Na vizinha Tailândia, que também foi afetada, as autoridades disseram que pelo menos 22 pessoas tinham morrido.
O número de mortos em Myanmar deverá ultrapassar os 3000 esta quarta-feira, disse Min Aung Hlaing, o chefe da junta que tomou o poder num golpe militar em 2021.
Grupos humanitários apelaram a um cessar-fogo entre os militares e vários grupos étnicos armados para facilitar a distribuição de ajuda.
Embora alguns grupos rebeldes tenham anunciado um cessar-fogo unilateral, os relatórios sugerem que a junta continua a lançar ataques nas zonas danificadas pelo terramoto.
Tom Andrews, relator especial da ONU para os direitos humanos em Myanmar, afirmou que os ataques militares têm de parar: "O objetivo em Myanmar deve ser salvar vidas, não tirá-las", afirmou.
O terramoto de sexta-feira agravou uma crise humanitária já de si terrível no país. Mesmo antes da catástrofe, cerca de 20 milhões de pessoas necessitavam de assistência humanitária, de acordo com as Nações Unidas.
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