...

Logo Pasino du Havre - Casino-Hôtel - Spa
in partnership with
Logo Nextory

Israel diz ter recuperado os corpos de dois reféns em Gaza

• Aug 29, 2025, 12:22 AM
9 min de lecture
1

Israel declarou que as suas forças armadas recuperaram os corpos de dois reféns anteriormente detidos pelo grupo militante Hamas em Gaza.

Os corpos incluem o de um israelita que terá sido morto na incursão liderada pelo Hamas no sul de Israel, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em curso.

O gabinete do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu identificou um dos corpos como sendo o de Ilan Weiss, do Kibbutz Be'eri. O outro corpo continua por identificar.

"A campanha para o regresso dos reféns continua. Não descansaremos nem ficaremos em silêncio até devolvermos todos os nossos reféns a casa - tanto os vivos como os mortos", disse Netanyahu esta sexta-feira.

Dos 251 reféns capturados pelos militantes há quase 22 meses, cerca de 50 permanecem em Gaza, incluindo 20 que Israel acredita ainda estarem vivos.

Manifestantes exigem o fim da guerra e a libertação imediata dos reféns em Telavive, a 23 de agosto de 2025.
Manifestantes exigem o fim da guerra e a libertação imediata dos reféns em Telavive, a 23 de agosto de 2025. AP

O Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos, que organizou protestos em massa exigindo um cessar-fogo para devolver os reféns, disse que os líderes israelitas deveriam dar prioridade a um acordo de cessar-fogo para devolver tanto os vivos como os mortos.

"Apelamos ao governo israelita para que entre em negociações e permaneça à mesa até que o último refém regresse a casa. O tempo está a esgotar-se para os reféns. O tempo está a esgotar-se para o povo de Israel que carrega este fardo", afirmou o grupo em comunicado.

"Zona de combate perigosa"

Entretanto, as Forças de Defesa de Israel disseram na sexta-feira que iriam suspender as pausas do meio-dia que permitiam a entrega de ajuda humanitária na Cidade de Gaza, chamando-lhe "uma zona de combate perigosa".

A cidade foi um dos locais onde Israel interrompeu os combates no mês passado para permitir a entrada de alimentos e ajuda humanitária das 10 às 20 horas locais (8 às 18 horas em Portugal continental).

As "pausas táticas" aplicavam-se à Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Muwasi, onde centenas de milhares de pessoas deslocadas estão abrigadas.

A suspensão ocorre no momento em que Israel se prepara para alargar a sua ofensiva na cidade, dias depois de ter anunciado ataques em bairros-chave e de ter convocado dezenas de milhares de reservistas.

Soldados israelitas trabalham nos seus veículos blindados estacionados numa área de preparação perto da fronteira entre Israel e Gaza, 26 de agosto de 2025.
Soldados israelitas trabalham nos seus veículos blindados estacionados numa área de preparação perto da fronteira entre Israel e Gaza, 26 de agosto de 2025. AP

O exército israelita não disse se tinha notificado os residentes ou os grupos de ajuda humanitária sobre os planos para retomar as hostilidades diurnas.

Israel já afirmou no passado que a Cidade de Gaza é um reduto do Hamas, com uma rede de túneis que continuam a ser utilizados pelos militantes após vários ataques anteriores em grande escala.

A cidade alberga também algumas das infraestruturas críticas e instalações de saúde do território.

As Nações Unidas afirmaram na quinta-feira que a Faixa de Gaza poderá perder metade da sua capacidade de camas hospitalares se Israel invadir o território como planeado.

A suspensão da pausa ocorre também uma semana depois de a principal autoridade mundial em matéria de segurança alimentar ter declarado que a cidade de Gaza estava a ser atingida pela fome, após meses de avisos.

Edifícios destruídos durante as operações terrestres e aéreas israelitas na Faixa de Gaza, vistos do sul de Israel, a 28 de agosto de 2025.
Edifícios destruídos durante as operações terrestres e aéreas israelitas na Faixa de Gaza, vistos do sul de Israel, a 28 de agosto de 2025. AP

A Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC) declarou que a fome foi provocada pelos combates e pelo bloqueio israelita à maior parte da ajuda, tendo sido ampliada pelas deslocações generalizadas e pelo colapso da produção alimentar.

A análise do IPC concluiu que a fome, a inanição e a subnutrição infantil tinham ultrapassado os limiares necessários para declarar a fome.

O Conselho Norueguês para os Refugiados, que coordena uma coligação de grupos de ajuda ativa em Gaza, afirmou que a preparação de Israel para a sua ofensiva terrestre em grande escala já tinha dificultado as entregas.

"Enfrentámos restrições de acesso e de movimento sem precedentes", disse a porta-voz Shaina Low na sexta-feira. "A intensificação das operações militares vai dificultar ainda mais a nossa capacidade de resposta".