Israel mantém tropas no Líbano após o prazo para retirada previsto no acordo de cessar-fogo
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Israel manteve tropas em cinco locais estratégicos no Líbano, apesar de terminar esta terça-feira o prazo para se retirar do país, no âmbito de um acordo de cessar-fogo com o Hezbollah.
A medida põe em evidência a fragilidade da trégua, cujos termos o Hezbollah acusa Israel de violar.
Nadav Shoshani, porta-voz das forças armadas israelitas, declarou que a manutenção das tropas em cinco pontos de observação no Líbano era necessária para garantir a segurança dos cidadãos israelitas que vivem perto da fronteira. Cerca de 60 mil pessoas continuam deslocadas em consequência dos combates anteriores.
A "medida temporária" foi aprovada pelo organismo de controlo do cessar-fogo liderado pelos EUA, sugeriu Shoshani.
Israel continua empenhado em retirar os seus soldados "da forma correta, de forma gradual e de modo a manter a segurança dos nossos civis", acrescentou.
"Estamos determinados a garantir a segurança total de todas as comunidades do norte", declarou o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, que confirmou que o seu país enviou reforços para os novos postos instalados do seu lado da fronteira.
O presidente libanês Joseph Aoun afirmou que a trégua "deve ser respeitada", antes de afirmar que "não se pode confiar no inimigo israelita".
Entretanto, o líder do Hezbollah, Naim Kassem, cujo antecessor Hassan Nasrallah foi morto num ataque aéreo israelita em setembro, afirmou no domingo que "não há desculpas" para a permanência dos soldados israelitas no Líbano.
De acordo com os termos iniciais do cessar-fogo acordado em novembro, os soldados israelitas numa zona tampão no sul do Líbano deveriam ser substituídos pelo exército libanês e pelas forças de manutenção da paz da ONU no final de janeiro. O prazo foi depois prorrogado até 18 de fevereiro.
O Hezbollah deveria retirar as suas forças para o norte do rio Litani, que fica a cerca de 30 km da fronteira israelita.
O conflito entre Israel e o Hezbollah teve início a 8 de outubro de 2023, quando o grupo militante apoiado pelo Irão disparou rockets contra o país vizinho em parceria com o Hamas, que tinha matado 1.200 pessoas no dia anterior em ataques no sul de Israel.
Os combates intensificaram-se em setembro e 2024, depois de Israel ter detonado à distância pagers e walkie-talkies utilizados por membros do Hezbollah. Nasrallah foi morto pouco depois, quando o exército israelita bombardeou um edifício no sul de Beirute.
As tropas israelitas entraram no Líbano a 1 de outubro do ano passado. Quase dois meses depois, Israel e o Hezbollah acordaram num cessar-fogo mediado pelos EUA e pela França.
Mais de quatro mil libaneses foram mortos durante o conflito. De cerca de 1 milhão de pessoas deslocadas no Líbano, cerca de 100 mil ainda não puderam regressar a casa.
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