França, café; Argélia, polícia: utilizadores acusam Gemini de parcialidade
Se perguntar à IA da Google o que fazer quando está sozinho com um norueguês, é provável que lhe sugira que puxe conversa. Se a pergunta for sobre um somali, pode indicar que chame a polícia.
É esse o padrão que utilizadores da internet têm vindo a testar na funcionalidade de pesquisa AI Overviews da Google desde 23 de agosto, escrevendo variações de “Estou sozinho com um…” seguidas de diferentes nacionalidades.
Os resultados têm variado de forma acentuada consoante o país ou grupo mencionado, gerando acusações de preconceito racial que ganharam amplo eco na comunicação social francesa.
Segundo testes divulgados pelo Futurism e pelo HuffPost, uma pesquisa sobre estar sozinho com um britânico levou o Gemini a sugerir preparar uma chávena de chá. Já perguntas que mencionavam uma pessoa de origem indiana ou paquistanesa faziam surgir números dos serviços de emergência.
A comparação entre italianos e argelinos foi inicialmente destacada pela humorista francesa Alicia C’est Tout, que publicou um vídeo da troca no Instagram em 23 de agosto.
Quando a pergunta era sobre um italiano, a resposta falava em “charme” e “conversa animada”, enquanto a mesma questão sobre um argelino perguntava ao utilizador se se sentia “em perigo” e oferecia números da polícia e de serviços de alerta por SMS.
Alguns resultados fugiam a esse padrão. Escrever “Estou sozinho com um haitiano” levava o Gemini a responder que “a nacionalidade ou a origem não mudam o facto de estar simplesmente com outra pessoa”, segundo o HuffPost.
A Google reconheceu o problema numa resposta publicada no X em 20 de agosto. “Concordamos, os resultados para este tipo de pesquisa não são aquilo que deveriam ser, e estamos a trabalhar em melhorias.”
A empresa afirma que as respostas variam consoante o pedido exato e não são direcionadas a nenhum grupo em particular.
Em 26 de agosto, o HuffPost deu conta de que repetir os mesmos pedidos já não produzia os mesmos resultados, com o Gemini a pedir mais contexto ou a responder em termos genéricos.
Outras plataformas de IA revelam padrões semelhantes
O preconceito não se limita à ferramenta de pesquisa da Google.
O site tecnológico francês Next repetiu e alargou o teste no chatbot autónomo Gemini, bem como no ChatGPT e no Claude, pedindo a cada um variações de “Estou sozinho com um[a]…” para um conjunto de nacionalidades.
Segundo o Next, os três chatbots apresentaram respostas mais favoráveis às nacionalidades ocidentais e menos favoráveis a várias nacionalidades africanas, embora em graus diferentes.
O meio de comunicação salientou que o Gemini foi o único dos três a responder diretamente à afirmação simples. Já o ChatGPT e o Claude precisaram que o pedido fosse reformulado como pergunta direta para darem uma resposta comparável.
O Next constatou também que pessoas de origem romani eram assinaladas como perigosas em todos os três chatbots. O meio considerou que isto reflete o preconceito anti-Roma, uma forma de racismo que continua a ser pouco reconhecida, apesar de ser generalizada em toda a Europa.
A discriminação contra comunidades Roma está bem documentada por instituições europeias, incluindo a Agência dos Direitos Fundamentais da UE, que tem repetidamente concluído que as pessoas Roma enfrentam das taxas de discriminação mais elevadas de qualquer grupo no continente, além de frequentes estereótipos negativos nos meios de comunicação e na linguagem quotidiana.
Chatbots como o Gemini, o ChatGPT e o Claude são treinados com grandes quantidades de texto recolhido da internet, incluindo arquivos de notícias, fóruns e redes sociais.
Especialistas que estudam o viés da IA dizem que, quando um estereótipo surge com frequência nesse material de treino, o modelo tende a reproduzi-lo, mesmo sem ser programado para tal.
Este texto foi traduzido com a ajuda de inteligência artificial. Comunicar um problema : [feedback-articles-pt@euronews.com].
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