Estrela de televisão "Dr. Oz" vai dirigir a Medicare e a Medicaid após confirmação do Senado

O médico e apresentador de televisão Mehmet Oz foi confirmado pelo Senado dos EUA para liderar a agência que supervisiona os cuidados de saúde de milhões de norte-americanos.
Oz, um antigo cirurgião cardíaco da Universidade de Columbia que se tornou famoso pelo seu "talk show" diurno homónimo, foi escolhido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado para liderar os programas Medicare e Medicaid (CMS).
Na quinta-feira, o Senado, controlado pelos republicanos, confirmou-o para o cargo por uma votação em linha partidária de 53-45.
Em 2009, lançou o seu próprio programa de televisão, “The Dr Oz Show”, onde dava conselhos de saúde e bem-estar aos telespetadores, juntamente com histórias de crimes reais e entrevistas com celebridades.
Os métodos do Dr. Oz, de 64 anos, têm sido analisados por peritos médicos, que criticam a sua promoção de produtos de emagrecimento não comprovados e outros tratamentos holísticos.
Apesar de ter encorajado a utilização de máscaras nos primeiros dias da pandemia de covid-19, foi depois criticado por peritos médicos por promover o recurso a medicamentos contra a malária como uma cura para o vírus.
Também promoveu posições anti-aborto e afirmou que apoiaria “potencialmente” a pena de morte para os traficantes de fentanil.
Como diretor dos programas Medicare e Medicaid, Oz terá a seu cargo a supervisão de uma agência que gere os seguros de saúde de cerca de metade dos Estados Unidos e que inclui também o Affordable Care Act, mais conhecido por Obamacare.
A sua nomeação surge numa altura em que o Congresso se encontra a debater cortes no programa Medicaid, que cobre os custos médicos das pessoas com baixos rendimentos.
Oz não explicou se irá opor-se a esses cortes no programa financiado pelo governo. No mês passado, disse aos senadores, numa audiência, que apoiaria a exigência de trabalho para os beneficiários do Medicaid, mas que essa documentação não deveria ser usada para impedir as pessoas de se inscreverem no programa.
Destacou ainda que alguns médicos nos EUA estão relutantes em aceitar pacientes que utilizam o Medicaid devido aos seus pagamentos relativamente baixos e argumentou que a expansão do programa sem melhorar os recursos para os profissionais reduziu a sua qualidade para os pacientes vulneráveis.
“Temos de tomar algumas decisões importantes para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde”, afirmou Oz.
Oz assumirá a direção dos programas Medicare e Medicaid dias depois de a agência ter sido poupada aos cortes profundos que o secretário da Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., ordenou noutras entidades de saúde pública.
Medidas essas que levaram a que milhares de funcionários perdessem os empregos na Food and Drug Administration, nos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças e nos Institutos Nacionais de Saúde.
Prevê-se que a agência perca cerca de 300 trabalhadores, incluindo os que se ocupavam dos cuidados de saúde das minorias, e que reduza o custo da prestação de assistência.
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