Israel diz ter recuperado os corpos de dois reféns em Gaza

Israel declarou que as suas forças armadas recuperaram os corpos de dois reféns anteriormente detidos pelo grupo militante Hamas em Gaza.
Os corpos incluem o de um israelita que terá sido morto na incursão liderada pelo Hamas no sul de Israel, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em curso.
O gabinete do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu identificou um dos corpos como sendo o de Ilan Weiss, do Kibbutz Be'eri. O outro corpo continua por identificar.
"A campanha para o regresso dos reféns continua. Não descansaremos nem ficaremos em silêncio até devolvermos todos os nossos reféns a casa - tanto os vivos como os mortos", disse Netanyahu esta sexta-feira.
Dos 251 reféns capturados pelos militantes há quase 22 meses, cerca de 50 permanecem em Gaza, incluindo 20 que Israel acredita ainda estarem vivos.
O Fórum das Famílias de Reféns e Desaparecidos, que organizou protestos em massa exigindo um cessar-fogo para devolver os reféns, disse que os líderes israelitas deveriam dar prioridade a um acordo de cessar-fogo para devolver tanto os vivos como os mortos.
"Apelamos ao governo israelita para que entre em negociações e permaneça à mesa até que o último refém regresse a casa. O tempo está a esgotar-se para os reféns. O tempo está a esgotar-se para o povo de Israel que carrega este fardo", afirmou o grupo em comunicado.
"Zona de combate perigosa"
Entretanto, as Forças de Defesa de Israel disseram na sexta-feira que iriam suspender as pausas do meio-dia que permitiam a entrega de ajuda humanitária na Cidade de Gaza, chamando-lhe "uma zona de combate perigosa".
A cidade foi um dos locais onde Israel interrompeu os combates no mês passado para permitir a entrada de alimentos e ajuda humanitária das 10 às 20 horas locais (8 às 18 horas em Portugal continental).
As "pausas táticas" aplicavam-se à Cidade de Gaza, Deir al-Balah e Muwasi, onde centenas de milhares de pessoas deslocadas estão abrigadas.
A suspensão ocorre no momento em que Israel se prepara para alargar a sua ofensiva na cidade, dias depois de ter anunciado ataques em bairros-chave e de ter convocado dezenas de milhares de reservistas.
O exército israelita não disse se tinha notificado os residentes ou os grupos de ajuda humanitária sobre os planos para retomar as hostilidades diurnas.
Israel já afirmou no passado que a Cidade de Gaza é um reduto do Hamas, com uma rede de túneis que continuam a ser utilizados pelos militantes após vários ataques anteriores em grande escala.
A cidade alberga também algumas das infraestruturas críticas e instalações de saúde do território.
As Nações Unidas afirmaram na quinta-feira que a Faixa de Gaza poderá perder metade da sua capacidade de camas hospitalares se Israel invadir o território como planeado.
A suspensão da pausa ocorre também uma semana depois de a principal autoridade mundial em matéria de segurança alimentar ter declarado que a cidade de Gaza estava a ser atingida pela fome, após meses de avisos.
A Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC) declarou que a fome foi provocada pelos combates e pelo bloqueio israelita à maior parte da ajuda, tendo sido ampliada pelas deslocações generalizadas e pelo colapso da produção alimentar.
A análise do IPC concluiu que a fome, a inanição e a subnutrição infantil tinham ultrapassado os limiares necessários para declarar a fome.
O Conselho Norueguês para os Refugiados, que coordena uma coligação de grupos de ajuda ativa em Gaza, afirmou que a preparação de Israel para a sua ofensiva terrestre em grande escala já tinha dificultado as entregas.
"Enfrentámos restrições de acesso e de movimento sem precedentes", disse a porta-voz Shaina Low na sexta-feira. "A intensificação das operações militares vai dificultar ainda mais a nossa capacidade de resposta".
Today