Finlândia retira suásticas das bandeiras da Força Aérea

A Força Aérea finlandesa, que agora faz parte da NATO, prepara-se para eliminar gradualmente as suásticas que ainda figuram num punhado de bandeiras de unidades, em grande parte para evitar constrangimentos com os aliados ocidentais.
A história da utilização da suástica pela força aérea finlandesa, que desde o século XX tem sido associada à tirania nazi e a grupos de ódio, é mais complexa do que parece à primeira vista.
Trata-se de um símbolo antigo e a força aérea finlandesa começou a utilizá-lo muitos anos antes da eclosão do nazismo na Alemanha. Há anos que a mudança está em curso. O logótipo com a suástica foi discretamente retirado do emblema da unidade do Comando da Força Aérea há alguns anos.
Mas as suásticas permaneceram em algumas bandeiras da Força Aérea finlandesa, causando choque entre alguns aliados da NATO, turistas e outros estrangeiros que as vêem em eventos militares.
"Podíamos ter continuado com esta bandeira, mas por vezes podem surgir situações embaraçosas com visitantes estrangeiros. Talvez seja sensato adaptarmo-nos ao tempo atual", disse Tomi Böhm, o novo chefe da força de defesa aérea da Ala Aérea da Carélia, em declarações a um canal de televisão estatal.
"Mau aspeto" para um novo membro da NATO
As Forças de Defesa, num e-mail enviado à Associated Press na sexta-feira, afirmaram que foi lançado um plano para renovar as bandeiras das unidades da força aérea em 2023, o ano em que a Finlândia aderiu à NATO, mas disseram que não estava ligado à adesão à aliança.
O objetivo, dizem, é "atualizar o simbolismo e os emblemas das bandeiras para melhor refletir a atual identidade da Força Aérea".
A declaração referia-se a um artigo publicado na sexta-feira pelo diário Helsingin Sanomat, que revelava que a razão por trás da eliminação do controverso emblema era a perceção de que a suástica era um "símbolo embaraçoso em contextos internacionais".
A Força Aérea e o público finlandês em geral insistiram durante anos que as suásticas usadas na Força Aérea da Finlândia "não têm nada a ver com a suástica nazi", diz Teivo Teivanen, professor de política mundial na Universidade de Helsínquia, que publicou este mês um livro cujo título em finlandês se traduz como "História da Suástica".
Mas agora, na sequência da integração da Finlândia na NATO, os responsáveis políticos decidiram que "é necessário integrar-se mais com as forças de países como a Alemanha, a Holanda e a França - países onde a suástica é claramente um símbolo negativo", acrescenta.
A força aérea finlandesa adotou o emblema da suástica em 1918, pouco depois de o país ter conquistado a sua independência após mais de um século de domínio imperial russo.
Pouco depois, a força aérea finlandesa adotou uma suástica azul sobre um fundo branco como insígnia nacional em todos os seus aviões de 1918 a 1945. Após a guerra, a imagem permaneceu durante décadas em algumas bandeiras e decorações de unidades da Força Aérea, bem como na insígnia da Academia da Força Aérea.
A Força Aérea finlandesa sublinha que a utilização do símbolo não tem qualquer ligação com a Alemanha nazi, embora a Finlândia tenha feito uma aliança relutante com o Terceiro Reich durante a Segunda Guerra Mundial.
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