Kallas: "amplo apoio" ao envio de instrutores militares europeus para a Ucrânia após cessar-fogo

A Alta Representante da União Europeia (UE), Kaja Kallas, disse aos jornalistas, após a reunião dos ministros da Defesa do bloco, em Copenhaga, Dinamarca, que "congratula-se com o amplo apoio" à extensão do mandato da Missão de Assistência Militar da UE em apoio à Ucrânia (EUMAM, na sigla em inglês).
Cerca de 80.000 soldados ucranianos foram treinados em vários locais da Europa pelas forças armadas da UE desde o seu lançamento em novembro de 2022.
Alterar o mandato da missão, na qual participam 24 Estados-Membros da UE e a Noruega, exigiria a unanimidade entre os Estados-Membros.
No entanto, Kallas expôs uma divisão de pensamento entre as capitais, com alguns a favor de uma extensão após um cessar-fogo ou trégua entre a Ucrânia e a Rússia, enquanto outros preferem atualizar a missão para que possa entrar em vigor assim que as duas partes em conflito cessarem as hostilidades.
O ministro da Defesa da Letónia, Andris Sprūds, disse aos jornalistas na sexta-feira que a nação báltica "também estaria disposta a ir com uma missão de treino como parte da Coligação dos Interessados", mas que primeiro "teriam de ser claros os parâmetros, o formato do cessar-fogo ou do acordo de paz".
O seu homólogo estónio, Hanno Pevkur, também afirmou que está disposto a enviar instrutores para a Ucrânia, mas que "primeiro os ucranianos têm de estar preparados para isso".
"Não é apenas o facto de estarmos a enviar alguém. É uma operação logística enorme, é uma operação de segurança enorme. Mesmo quando existe um cessar-fogo, nunca se sabe quando é que a Rússia vai quebrar o cessar-fogo", disse aos jornalistas à chegada à reunião, no início do dia. "Vamos trabalhar em conjunto com os ucranianos. Quando eles quiserem que estejemos lá, temos de estar preparados para isso".
Kallas defendeu que o envio de instrutores militares europeus para a Ucrânia seria uma das garantias de segurança que a UE poderia dar à Ucrânia em caso de tréguas.
As discussões sobre estas garantias estão atualmente a decorrer principalmente no âmbito da Coligação dos Interessados, em que cerca de 30 países, na sua maioria europeus, estão a trabalhar em conjunto para definir o que estariam dispostos a fornecer à Ucrânia, a curto e a longo prazo, para dissuadir qualquer nova agressão.
Kiev encara a adesão à NATO e à UE como a derradeira garantia de segurança, mas também apela ao fornecimento contínuo de equipamento militar, formação e dados de informação para reforçar as suas forças armadas.
Os aliados europeus, liderados pela França e pelo Reino Unido, estão também a trabalhar na criação de uma "força de tranquilização", através da qual algumas tropas europeias seriam destacadas para zonas de não-contacto em toda a Ucrânia.
Vários países relutantes em participar nesta força de tranquilização declararam que exigiriam o envolvimento dos EUA para aderir à iniciativa.
Donald Trump excluiu a possibilidade de enviar tropas norte-americanas para o terreno, mas disse aos líderes europeus que o visitaram em Washington no início deste mês que estaria preparado para fornecer os chamados backstops, como cobertura aérea e de mísseis, e mais partilha de informações.
"Os americanos foram muito claros: os europeus têm de liderar" as garantias de segurança, afirmou Kallas. "Temos de mostrar que estamos a assumir a responsabilidade por determinadas áreas, e o treino tem sido feito na Europa e estamos prontos para o fazer em solo ucraniano assim que houver tréguas".
"É também um argumento para os nossos amigos que dizem que as tréguas são importantes, a paz é importante, mas só pode ser justa e duradoura se existirem garantias de segurança credíveis e um dos elementos das garantias de segurança credíveis é a formação da UE, a missão militar e a missão civil", acrescentou.
Os ministros reunidos na capital dinamarquesa também debateram a forma de reforçar a defesa da Ucrânia e de colmatar as lacunas de capacidade militar da UE.
A UE identificou nove áreas prioritárias para investimentos na defesa, incluindo a defesa aérea e os drones, e propôs um regime de empréstimos de 150 mil milhões de euros para adquirir conjuntamente alguns dos equipamentos mais rapidamente e a custos mais baixos.
Os Estados-Membros têm como objetivo definir qual deles deve assumir o papel de "nação líder" para cada uma destas áreas prioritárias e negociar contratos até ao final de outubro.
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