2025 foi o pior ano em termos de incêndios florestais para a Europa

2025 é um ano recorde de incêndios florestais na Europa e a época de incêndios está longe de terminar.
Embora o continente tenha registado épocas devastadoras no passado, a superfície ardida e a velocidade e simultaneidade dos incêndios deste ano não têm precedentes.
Em 2025, arderam mais de um milhão de hectares na UE, mais do que a superfície da Córsega, e mais de quatro vezes mais do que no ano passado.
Foram declarados mais de 1800 incêndios florestais que emitiram mais de 38 milhões de toneladas de CO₂.
Apenas cinco dos 27 Estados-Membros foram poupados: a República Checa, a Estónia, a Lituânia, o Luxemburgo e Malta foram os únicos que não sofreram com o flagelo dos fogos.
No topo da lista, a Itália e a Roménia registaram mais de 450 incêndios cada.
No entanto, os países que sofreram mais danos não foram necessariamente os que registaram mais incêndios. Chipre, por exemplo, registou três incêndios, mas estes foram particularmente devastadores.
Desde o dia 1 de janeiro, arderam mais de 400 mil hectares em Espanha e mais de 260 mil em Portugal. Assim, desde o início do ano, arderam 3% de Portugal, 2,3% de Chipre e 0,8% de Espanha.
As razões mais visadas são as temperaturas elevadas e a seca. "Muitos dos incêndios que temos vindo a monitorizar e a observar estão a ocorrer onde as anomalias climáticas mostram que é muito mais seco do que a média e onde é mais quente do que a média", disse Mark Parrington, cientista do Centro Europeu para o Clima a Médio Prazo, à Euronews.
"Nos locais onde sopram ventos quentes e secos, qualquer ignição pode deflagrar muito rapidamente em grande escala e tornar-se muito intensa", acrescenta o cientista.
Alterações climáticas
As alterações climáticas estão a aumentar o risco de incêndios, mas este já é um tema recorrente para o qual os especialistas da meteorologia andam a alertar.
"É necessária uma combinação de diferentes fatores para o comportamento do fogo: condições meteorológicas, topografia, vegetação, biomassa, combustível. Mas o pré-requisito para que tudo aconteça é o clima", explica Alexander Held, especialista em gestão de incêndios no Instituto Europeu de Florestas, à Euronews.
"Por isso, os cenários de alterações climáticas fornecem o enquadramento perfeito para que todos os outros factores trabalhem em conjunto e produzam um dia de fogo perfeito ou uma tempestade de fogo perfeita", lamenta o especialista.
Held dá o alerta, nestas condições, que se tornarão cada vez mais comuns no futuro, os incêndios ficarão fora de controlo. "O nosso sistema de combate a incêndios está a atingir os seus limites e a única coisa que podemos fazer é preparar a paisagem, tornando-a mais resistente e mais bem preparada", diz.
"Dessa forma, os bombeiros terão a oportunidade de trabalhar de forma segura e eficiente", diz Alexander Held à Euronews.
Uma das técnicas é a redução da vegetação através da limpeza de matos, do pastoreio ou de queimadas controladas. Outras abordagens incluem a silvicultura mista com cobertura contínua - que mantém uma cobertura arbórea permanente evitando o corte raso -, a agricultura regenerativa ou os sistemas agroflorestais - que combinam a produção agrícola e as árvores na mesma área.
O especialista em gestão de incêndios também menciona a criação de corta-fogos físicos, ou naturais, e a eliminação de madeira morta nas bermas das estradas.
"Mas se continuarmos assim a esperar que mais meios de combate a incêndios resolvam o problema, este ano vimos que não é claramente o caminho a seguir", acrescenta o especialista em gestão de incêndios.
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