Aliados da NATO preparam-se para avisos norte-americanos de Marco Rubio

Os aliados da NATO preparam-se para a grande "mudança" sobre quem é responsável pela defesa do continene europeu. Na véspera de uma reunião ministerial em Bruxelas, diplomas explicaram à Euronews que essa trasferência de responsabilidades é crucial para manter os EUA na aliança.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está em Bruxelas esta quinta e sexta-feira, para participar na sua primeira reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, na qual se espera que se faça valer as exigências dos EUA de que o ónus da segurança e da defesa da Europa no seio da aliança tenha sido "transferido" para os europeus.
Também os europeus terão uma mensagem Rubio: tentar agir sozinho, sem o apoio dos seus 31 aliados, pode não ser uma boa jogada.
"A mensagem de Rubio será clara: os europeus têm de assumir a responsabilidade pela defesa convencional da Europa, para que possamos levar o nosso equipamento americano para outros teatros (de guerra), e queremos que os europeus passem a ter 5% das despesas com a defesa", disse à Euronews um responsável europeu da NATO com conhecimento direto da situação.
É preciso que haja uma "transferência de encargos" para manter os EUA na aliança, disse o responsável.
Os aliados estão também a preparar-se para uma redução do número de tropas norte-americanas estacionadas na Europa no âmbito da NATO.
Atualmente, existem cerca de 100.000 soldados a proteger o território da NATO e os Estados-membros consideram que os EUA poderão reduzir este número, entre 20.000 e 50.000 elementos.
Os Estados Unidos não deram qualquer indicação formal nesse sentido, mas o secretário da Defesa, Petr Hegseth, avisou no mês passado que "não se pode partir do princípio de que a presença dos Estados Unidos durará para sempre".
"Precisamos de tropas americanas na Europa - temos 100.000 atualmente, mas penso que veremos esse número diminuir - se tivéssemos metade desse número, seria ótimo", disse um diplomata antes da cimeira desta quinta-feira.
O impacto da retirada presença norte-americana após anos de envolvimento seria grave, mas os aliados afirmam também que, se, e quando houver um anúncio, esperam ser informados diretamente e não através dos meios de comunicação social.
Além disso, um diplomata europeu disse à Euronews que seria "difícil de digerir" se um anúncio surgisse das conversações dos EUA com a Rússia.
"Se o fizerem, os Estados Unidos recuam de forma ordenada - não queremos ler na imprensa que estão a retirar-se, precisamos de um processo", disse o diplomata, acrescentando que "seria muito dramático se fosse o resultado de negociações com Moscovo - isso seria difícil de digerir".
Apesar dos recentes confrontos da administração Trump com a Europa, os aliados da NATO afirmaram que a adesão e o compromisso dos EUA são indispensáveis para a capacidade de dissuasão presente na organização.
"Mas teremos de dar um passo em frente de forma drástica", disse o diplomata.
Enquanto Rubio terá uma mensagem forte para transmitir aos europeus, os ministros dos Negócios Estrangeiros dir-lhe-ão que o aparente afastamento dos EUA dos seus aliados tradicionais não será benéfico, uma vez que concentra as ameaças no Indo-Pacífico.
"A vantagem comparativa de ficar com a Europa em vez de se aproximar da China e da Rússia é que temos 32 democracias fortes ao nosso lado. A Europa está a comprar muito às empresas americanas - compramos quatro vezes mais na América do que na Europa", disse o diplomata.
Vários diplomatas europeus disseram à Euronews que não esperam que as ameaças da administração Trump de anexar a Gronelândia - um território semi-autónomo dinamarquês - ou de transformar o Canadá no 51º Estado norte-americano dominem a discussão, embora o secretário de Estado Rubio deva ter uma reunião bilateral com o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen.
Sobre o cumprimento das exigências estabelecidas pela administração Trump, que serão repetidas por Rubio, Rutte disse aos jornalistas que será celebrado "o facto de termos gasto um total de 700 mil milhões de euros desde 2017".
Donald Trump e Pete Hegseth afirmaram que as despesas da NATO têm de aumentar drasticamente de 2% para 5% do PIB, o que deverá ter um custo elevado para aliados como a Espanha, a Itália e a Bélgica, que ainda não atingiram os 2%.
A Europa tem de "avaliar exatamente quais os objetivos que temos de atingir e quais as lacunas que temos", explicou o secretário-geral da NATO. "Precisamos de mais capacidades de longo alcance, de mais defesa aérea e de investir nos nossos exércitos", reforçou.
"Quando olhamos para o número agregado, podemos assumir que os aliados terão de gastar consideravelmente mais de 3% para atingir esses objectivos".
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